Morto até o amanhecer - Charlaine Harris

segunda-feira, 30 de agosto de 2010



Antes da HBO e o produtor Allan Ball os transformar em um fenômeno de audiência, os vampiros da série de livros "Vampiros do Sul" já existiam na literatura. O livro que apresenta a cidade de "Bon temps" e seus habitantes não trás em sua trama grandes diferenças em relação a primeira temporada de True Blood, e gira em torno dos assassinatos misteriosos ocorridos em uma época em que os vampiros tentam provar que são capazes de viver pacificamente entre os seres humanos.
Alguns personagens cresceram na adaptação para a televisão, e outros tiveram mudanças significativas. Um grande exemplo é a personagem Tara que nem mesmo aparece no primeiro livro. Outros, como Lafayete e Jason, que ganharam mais destaque na versão televisiva pouco aparecem em Morto até o Amanhecer. Há também personagens que são exclusivos da obra de Charlaine Harris, como as demais garçonetes do Merlotte e alguns vampiros que vão interagir com o Bill.
A história é contada do ponto de vista de Sookie Stackhouse e narrada em primeira pessoa. E se ler o livro foi uma experiência válida foi por entender melhor esse personagem. Nunca fui muito fã da interpretação de Anna Paquim em True Blood, achava aquele sotaque forçado meio canastrão e o tom virginal pouco apropriado para alguém daquela idade. No livro de Charlaine Harris é possível estar dentro da cabeça de Sookie, e entender melhor os seus dilemas. Não é uma obra prima, mas diverte e tem boas sacadas. E ainda me deixou curiosa pra conferir os demais livros da série.

É Proibido Fumar

segunda-feira, 23 de agosto de 2010
O filme lançado em 4 de dezembro de 2009 foi escrito e dirigido por Anna Muylaert, e poderia passar desapercebido se não fossem dois fatores: o acerto na escolha dos protagonistas e a forma ás vezes cruel com que não nos poupa dos defeitos de seus personagens.

Glória Pires é Baby , uma professora de música que costuma se distrair com programas de tv voltados a donas de casa, enquanto fuma um cigarro após o outro. Quando Max se muda para o apartamento ao lado, ela se apaixona por ele.

Aparentemente os dois tem pouco em comum: ela fã de Chico Buarque, ele entusiasta de Jorge Ben, porém o romance acontece, com direito a cenas dela gritando na depilação e cofrinho do Paulo Miklos.

Ao perceber que o hábito incomoda seu novo parceiro, Baby decide deixar de fumar, e sua luta para largar o cigarro coincide com o período em que ela descobre que há uma outra mulher na disputa por Max.

Enfim, É proibido fumar nos dá a ilusão de estar acompanhando vidas reais. Os protagonistas mostram o filme inteiro que não estão vivendo o relacionamento que gostariam de estar vivendo, mas o que podem viver. A idéia me deprimiu um pouco, mas eu consegui enxergar a coragem e o mérito de trazer uma história com a crueldade do real para a tela do cinema.






Quero Ler!!!!

sábado, 21 de agosto de 2010
Dragões De Éter

Nurse Jackie - Primeira Temporada

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O que é ser alguém bom? Jackie, a enfermeira que dá título a série estrelada por Edie Falco, tem uma série de hábitos pouco louváveis: vícios, mentiras e trapaças fazem parte do seu dia a dia, porém é impossível não ver a bondade desta mulher. A série é focada na vida particular da enfermeira e dos seus colegas de trabalho, diferenciando a atração de outras séries médicas de sucesso.
Muito comparada ao Dr. House, da Série House M.D. por conta de seu vício em remédios que começou graças a fortes dores, Jackie é tão politicamente incorreta quanto o personagem de Hugh Laurie. Porém as semelhanças com o famoso doutor acabam por aí, pois Jackie não é misógena, e parece ajudar as pessoas como uma forma de compensação para todos os seus hábitos não tão louváveis. Já no episódio piloto vemos que ela vive uma vida dupla, mantendo as pessoas que convivem em seu trabalho longe de sua casa, e sabendo pouco de sua vida particular.

Além de Jackie , completam a galeria de personagens interessantes:

Dr. Cooper : Médico inexperiente que vive em conflito com Jackie. É interpretado por Peter Facinelli, que tem em seu currículo a série Fastlane , e dá vida a Carlisle Cullen no cinema.

Eddie : Farmacêutico do hospital. Em toda a primeira temporada não fica bem nítido qual a principal motivação de seu relacioanmento com Jackie.

Dr. O'Hara : Melhor amiga de Jackie, é a única personagem que transita entre os dois mundos da enfermeira, sua casa e seu trabalho.

Zoey: É uma das alunas de Jackie, e apesar de não estar acostumada com a dura realidade do hospital, reconhece a bondade em Jackie.




Dança com a morte - Jeffery Deaver

domingo, 15 de agosto de 2010
Eu adoro literatura policial, e sou apaixonada por cada um dos seus clichês! E é como uma fanática assumida que eu falo sobre o fantástico Lincon Rhyme em sua segunda aventura com Amélia Sachs, o livro Dança com a morte. Conheci o detetive paraplégico no cinema , com o Colecionador de Ossos, e fiquei tão encantada que procurei os livros por que pouco mais de uma hora com o personagem não era o suficiente.


Amélia é uma policial que é colocada pra fazer o trabalho de campo que Rhyme não pode mais realizar por conta das suas limitações físicas, que também parecem um tanto responsáveis por desenvolver suas habilidades lógicas e cognitivas. Eles se complementam , e a simbiose cria a ilusão de um só indivíduo. Embora em dança com a morte essa relação não ter mais o mérito de surpreender, ela continua encantando.

A dupla será responsável por impedir que um assassino de aluguel mate as últimas testemunhas capazes de incriminar um figurão que a tempos escapa ileso de seus crimes. Como um ilusionista , Jeffery Deaver usa artifícios para nos distrair e nos surpreender com um desfeixo inteligente. Embora isso já seja uma marca de autoria de Deaver, e esse não seja o livro em que melhor ele o faça, essa brincadeira de revelar no último instante que fomos levados a tirar conclusões equivocadas agrada e nos dá a impressão de que o autor manteve a atenção do leitor exatamente onde ele queria o tempo todo.

A origem

quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Um roteiro de ação ambientado no subconsciente, um herói devastado pela perda e pela culpa, um empresário poderoso, um plano inescrupuloso.O bem e o mal confundindo-se em paisagens tão ilógicas como Paris dobrando-se ao meio, uma jovem prodígio com uma grande responsabilidade, uma vítima por quem não torceremos. A origem é acima de tudo um filme que vem desafiar o espectador, seja pelas suas cenas de tirar o fôlego, seja pelos conceitos intrincados a que somos expostos.
O maior mistério a que se pede resposta não é automaticamente como funcionava a tecnologia que permitia aos homens compartilhar sonhos e invadiar a cabeça de outras pessoas, mas como funciona a mente , e como verdade e realidade podem ser conceitos difíceis de provar. Me senti invadindo a mente do próprio Christopher Nolan , ao escrutinar os caminhos pelo qual viajavam os personagens. Os muitos níveis de inconsciente eram apresentados de forma apressada, trazendo uma sensação agoniante reforçada pela trilha sonora que se impunha em certos momentos com acordes tocados de forma brusca em volume altíssimo. Os cortes dinâmicos de uma sequência a outra também reforçavam essa sensação de urgência.
Dom Cobb (Leonardo Dicaprio) é um protagonista que tenta não sucumbir aos próprios desejos, enquanto busca racionalizar sentimentos e não sucumbir diante de impulsos auto destrutivos. E se o protagonista se apresenta como um personagem crível, é grande parte mérito de Dicaprio que oferece uma interpretação sem grandes maneirismos e afetações.
Outro destaque no elendo é Ellen Paige, na pele de Ariadne, que não por acaso tem o nome daquela que se apaixona por Teseu, e ardilosamente providencia uma corda para que este possa voltar do labirinto do Minotauro. Também no universo imaginado por Nolan, é Ariadne a responsável por guiar o protagonista de volta a vida.
Inegavelmente, o grande mérito do filme é não subestimar a inteligência do público, porém isso não quer dizer que o filme seja demasiadamente complexo ou inacessível, pois percebe-se que a despeito de todo enredo de ficção científica, A origem é antes de tudo um filme sobre um homem devastado e sua luta para não sucumbir de vez ao próprio desencanto.



O mundo imaginário do Dr. Parnassus

sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Um homem que atravesssou milênios, um imortal que ousou apostar mais de uma vez com o diabo. No Doutor Parnassus vemos a figura de alguém que é plenamente capaz de captar os anseios do passado, mas que tem dificuldade em entender o que há com a geração presente. Ele oferecia aos transeuntes o teatro mágico que encantou Harry Haller, porém, há tempos a experiência mística só por deleite não seduz mais.
E é para adaptar a mensagem que entra em cena Tony Shepard, é inegável que ele representa um Dr. Parnassus do tempo presente, identificando as fraquezas e anseios daqueles que passam diante de si. Com um discurso mais ágil e adaptável , Shepard começa a trilhar pelos caminhos do imaginário como quem não tem consciência do quão está sendo afetado por ele. Mesmo em sua posição de guia, ela está continuamente experimentando os enganos daquele mundo, ao entender parcialmente seus sentidos.
Nas estradas do imaginário reconhecemos as filosofias que tanto arrebanham pessoas na nossa geração: A chamada ao sacrifício possível do cristianismo; Os discursos vazios, porém otimistas das palestras de auto ajuda e a realização através do reconhecimento alheio, utilizando o rótulo da bondade são os três linguagens desenvolvidas.
É impossível não fazer uma reflexão sobre os valores contemporâneos e a maneira como sublimamos a realidade para que mecanismos de pensamento façam sentido de forma tão explícita como apresentado no imaginário de Parnassus.
O filme tem seus defeitos, por vezes achei o visual surreal do imaginário um pouco infantil, e um amigo chamou a atenção para a pouca profundidade dos personagens. Porém, acredito que eles deviam ser universais, e por isso suas personalidades não ficam muito claras no filme. O mundo imaginário do Dr. Parnassus pretende nos fazer atentar para aquelas dúvidas e anseios comuns e exatamente por isso o roteiro não se atém a personalidade individual.
A solução encontrada para suprir a falta de Ledger que morreu sem finalizar as filmagens foi inteligente. E mesmo diante das mudanças físicas conseguimos reconhecer que o personagem permanece o mesmo. A direção é feliz, e a 'Imersão' é a grande razão para eu assim a considerar. Me senti junto a cada personagem que atravessava o espelho, vivendo as experiências surreais, e esse mergulho na história me fez sair do cinema com a sensação de ter experimentado um transe digno das páginas de Herman Hesse.